A Marvel Studios parece ter finalmente admitido o que fãs verdadeiros já sabiam há anos: o reboot de Blade está fadado ao fracasso. Após múltiplos adiamentos, trocas de roteiristas e diretores, o projeto foi efetivamente engavetado, segundo o jornalista Rodrigo Perez do The Playlist. A verdade que ninguém na indústria quer admitir é que a obsessão da Marvel em transformar cada projeto em uma plataforma para mensagens ideológicas acabou comprometendo a essência do personagem.
Blade, originalmente interpretado com perfeição por Wesley Snipes nos anos 90, foi um dos primeiros heróis de quadrinhos a ganhar sucesso nos cinemas sem precisar carregar bandeiras ou causas. Era simplesmente um caçador de vampiros meio-humano que fazia o que precisava ser feito, sem filtros ou preocupações com sensibilidades modernas. A trilogia original era violenta, adulta e sem compromisso com politicamente correto – exatamente o que fez o personagem conquistar legiões de fãs.
Agora, no clima atual de Hollywood onde cada produção precisa passar pelo crivo de consultores de diversidade e comitês de sensibilidade, o projeto perdeu sua alma. Mahershala Ali, ator competente, foi escolhido não apenas por seu talento, mas também para atender às crescentes demandas de representatividade no UCM. O problema nunca foi o elenco, mas sim a abordagem excessivamente cautelosa e domesticada que a Marvel planejava para o personagem.
O preço da lacração: quando agenda ideológica destrói franquias queridas
O cancelamento velado de Blade é apenas o mais recente exemplo de como a indústria do entretenimento está matando suas próprias propriedades intelectuais no altar da mensagem. Chad Stahelski, diretor da violenta e bem-sucedida franquia John Wick, aparentemente recusou dirigir o projeto – um sinal claro de que a Marvel não está disposta a fazer um filme de Blade com a violência e o tom adulto que o personagem exige.
Enquanto isso, os executivos da Marvel continuam insistindo que Blade pode aparecer em outros projetos como “Midnight Suns” ou “Vingadores: Guerras Secretas”, diluindo ainda mais a essência do personagem para encaixá-lo em produções voltadas para adolescentes. A ideia de transformar um caçador de vampiros sanguinário em mais um soldadinho na formação dos Vingadores mostra o quão desconectados os atuais tomadores de decisão estão do material original.
Se a Marvel realmente quisesse fazer justiça ao legado de Blade, teria dado ao projeto classificação indicativa adulta e liberdade criativa para explorar os elementos sobrenaturais e violentos que são intrínsecos ao personagem. Em vez disso, optou pelo caminho seguro e politicamente correto, resultando em um projeto sem identidade que nem mesmo os mais talentosos roteiristas conseguiram salvar.
A triste realidade é que enquanto Hollywood continuar priorizando agendas sobre narrativas de qualidade, personagens icônicos como Blade continuarão sendo sacrificados. Os fãs querem entretenimento autêntico e histórias envolventes, não aulas de estudos sociais disfarçadas de filmes de super-heróis. Até que os estúdios entendam isso, podemos esperar mais projetos engavetados e franquias arruinadas.